terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Muito prazer, nós somos a Geração Y


Nós Jovens, nascidos entre os anos 1980 e 2000, somos considerados um elenco da Geração Y, também chamados de Geração Millennnial (Filhos do Milênio) ou Geração da Internet.

A nossa geração desenvolveu-se em uma época do boom dos avanços tecnológicos e da prosperidade econômica, ou seja, evoluímos seres totalmente competitivos, com mentes ágeis e individualistas. Competitivos:  gostamos de aventuras e desafios. Crescemos vivendo em ação. O JN noticia a Guerra Civil do Rio de Janeiro, a novela ficciona a tortura ou um assalto com o protagonista, depois vem Tela Quente, com o filme Duro de Matar 3: a vingança. A televisão influenciou muito na nossa personalidade e hábitos; Mentes ágeis: fomos estimulados por diversas atividades, fazendo tarefas múltiplas. Crescemos, no meio de diversos recursos da Internet, iPods, Messenger, redes sociais, celulares, imersos no mundo digital com um intenso fluxo de informações. Ao mesmo tempo em que lemos notícias na internet, conversamos por mensagens instantâneas, assistimos TV e falamos ao celular; seres individualistas: além de egoístas, somos solitário. Vivemos no nosso "mundinho" do MP3, vídeo games etc. Ficamos horas na internet. Viajamos o mundo via www, mas somos incapazes de ir ao quarto do lado para conversar com o irmão. Rita Loiola, responsável por estudos do comportamento humano, na Revista Galileu (leia), faz uma análise da Geração Y. Ela cita que, ao longo dos anos, fomos nos familiarizando com as evoluções tecnológicas. “Essa é a primeira geração que não precisou aprender a dominar as máquinas, mas nasceu com TV, computador e comunicação rápida dentro de casa. Parece um dado sem importância, mas estudos americanos comprovam que quem convive com ferramentas virtuais desenvolve um sistema cognitivo diferente”, explica Rita Loiola.     

A nossa geração influenciou muito o mundo mercadológico ou Mix de Marketing, a organizações devem estar atentas aos interesses dos clientes. Nós, da Geração Y, gostamos de preço, qualidade e inovação. Há um fenômeno chamado Obsolescência Programada, que dá vida curta aos produtos de forma absurdamente rápida. A cada dia surgi um celular mais moderno e multifuncional, e o que foi comprado ontem, tornou-se obsoleto. 

Outras mudanças ocorridas foram no mundo corporativo. A Geração Y é responsável por mudanças mais frequentes e profundas nas relações com as empresas. Uma geração que adora feedback, é multitarefa, sonha em conciliar lazer e trabalho e é muito ligada em tecnologia e novas mídias.

O jornalista, especialista em mundo corporativo, Max Gehringer fez uma análise, veiculada na Rádio CBN (ouça), sobre a influência da Geração Y nas empresas. Vejamos alguns tópicos:
  • Primeiro: 84% dos jovens querem ser ouvidos. Só 65% consideram que a empresa os ouve. 
  •  Segundo: 82% buscam um equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida. Porém, 56% confessam que, não apenas não têm esse equilíbrio, como ainda se sentem estressados no trabalho.
  •  Terceiro: 87% desejam que a empresa lhes dê oportunidades para aprender continuamente. Só 25% dizem que estão tendo essas oportunidades.
  • Quarto: 78% querem reconhecimento por seus méritos. Só 27% afirmam que estão tendo.

 Max Gehringer destaca outras constatações da pesquisa. Ele brinca que provavelmente, muitas dessas constatações, vem tirando o sono dos seus ouvintes gerentes:
  • Os jovens da geração Y não apreciam a hierarquia rígida, e acreditam que o poder nas empresas deve ser compartilhado. Também estão preocupados com as questões sociais e o meio ambiente, e querem trabalhar em empresas que enxerguem além dos resultados financeiros. 
  • Evidentemente, quando jovens que desejam tudo isso, entram em uma empresa, existe o choque entre a percepção de como o mundo corporativo deveria ser e, como de fato, ele é. Qual é a solução? A mesma usada há 40 anos, com a geração hippie. Ela mudou a maneira do mundo pensar, mas também se adaptou a algumas exigências do mercado de trabalho.
  • Da mesma forma, são os jovens da Geração Y que irão ditar as regras do mercado de trabalho quando atingirem cargos gerenciais. Eles abrirão mão de alguns de seus sonhos, mas transformarão outros sonhos em normas.
Veja mais características no infográfico da Hay Group


domingo, 12 de dezembro de 2010

Soneto 151 - William Shakespeare


O amor é muito jovem para ter consciência: 

Embora quem desconheça que esta nasça do amor? 
Então, gentil mentiroso, não me apresses, 
Minha culpa decresce quão mais doce teu ser for.
Pois, se me traíres, trairei 
A parte mais nobre do meu corpo – 
Minha alma diz que ele 
Triunfará no amor; a carne prescinde da razão;
Mas, elevando-me ao teu nome, te transformo 
Em seu prêmio mais dileto. Orgulhoso disso, 
Contenta-se em carregar seu pobre fardo,
Impor-se aos teus casos, tombar ao teu lado. 
Prescindo de consciência para chamá-la 
De amor – amor por que me ergo e tombo.

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Inglaterra, 23 de abril de 1564 - Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616) 
Poeta e dramaturgo inglês. Mundialmente conhecido por suas peças de teatro (Hamlet, Romeu e Julieta, Otelo, Sonho de uma noite de verão, Henrique V e muitas outras), que atravessam os séculos sendo montadas e profundamente estudadas, publicou 154 sonetos, com primeira edição datada em 1609. Os poemas foram vertidos para o português em diversas ocasiões, aqui, a tradução escolhida é a de Thereza Christina Rocque da Motta.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Prefeito de Cabo Frio tem mandato cassado pela terceira vez

O prefeito de Cabo Frio, Marcos da Rocha Mendes, conhecido como Marquinho Mendes, e sua vice, Delma Jardim, tiveram o mandato cassado pela Justiça Eleitoral. Eles são suspeitos de corrupção eleitoral e compra de votos.

A decisão foi tomada na 96ª zona eleitoral do município, que fica na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.


A desconfiança sobre o prefeito começou pouco antes das últimas eleições, em 2008, quando Marquinho foi reeleito. Agentes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) viram um caminhão da prefeitura fazendo doações, ato que poderia configurar a compra de votos.
Marquinho foi acusado ainda de ceder cargos públicos na Prefeitura em troca de apoio político.
Diante da cassação, a tendência é que Alfredo Gonçalves, presidente da câmara dos vereadores, assuma o cargo de forma interina até a diplomação de Alair Corrêa, segundo colocado nas últimas eleições.
Por meio de assessores o deputado estadual Alair Corrêa, que foi segundo colocado nas eleições e que, segundo a decisão judicial, vai assumir o posto de Marquinhos, disse ao Jornal O Globo, que  caso venha assumir a prefeitura, vai cancelar toda a programação de réveillon já anunciada pelo atual prefeito.  Informou ainda que dará um choque na cidade; fazer uma auditoria na prefeitura; e, iniciar obras somente em março, depois da alta temporada, para não prejudicar os turistas.          

Os advogados de Marquinhos irão recorrer da decisão.

Tragédia ou espetáculo? Especialista vê exagero na cobertura da violência no Rio


por Izabela Vasconcelos (Jornalista do Site Comunique-e)

Os confrontos entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro, durante a última semana, ocupou boa parte das páginas dos jornais, revistas e espaço nas emissoras de televisão e rádio. No entanto, para o antropólogo Edilson Almeida da Silva, autor do livro Notícias da violência urbana: um estudo antropológico (Editora UFF), apesar do conflito não poder ser negligenciado, a cobertura jornalística cometeu excessos e tratou o assunto de uma forma simplista.

“Apesar de ser um grande conflito, há certa espetacularização do problema. É tratado de uma maneira maniqueísta, como mocinhos e bandidos. Apenas dois lados se contrapondo é uma forma simplista”, define o pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT-InEAC), da Universidade Federal Fluminense.

Para ele, a cobertura da violência no Rio de Janeiro cresceu ao longo dos anos porque passou a atingir classes que antes não se sentiam fragilizadas. “A violência se difundiu para segmentos da sociedade que antes se consideravam mais afastados da violência, e agora se sentem sensíveis. Isso mobiliza a cobertura”, avalia.

Divulgar os suspeitos

Segundo ele, até pouco tempo a mídia adotou uma postura satisfatória ao evitar noticiar nomes de bandidos e facções, mas com o recente conflito, voltou a identificar os criminosos. “Para poder apoiar a ação das UPPs, eles acabam fazendo o que eles tinham evitado, usar os nomes dos bandidos, o que acaba dando um espaço que os criminosos não merecem”.

Silva também afirma que a mídia filtrou entrevistas e trouxe muitos relatos, mas alguns deles não refletiam a fiel realidade. “Os jornalistas fazem filtragens das pessoas da comunidade, dos moradores, mostram muitos felizes, mas nem sempre reflete o que todos estão sentindo”.

Destaque no Brasil e nos EUA

Durante o conflito, a Globo chegou a transmitir mais de cinco horas ininterruptas do confronto. A Record fez o mesmo por mais de duas horas. A semana do conflito também ilustrou, por dias, as manchetes de jornais, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo. A equipe do jornal Extra fez transmissões por twitcam e criou uma página no Twitter exclusiva para a cobertura.

O jornal The New York Times chegou a afirmar que a mídia nacional conseguiu “cativar” os brasileiros para a cobertura do confronto como em nenhum outro evento desde a Copa do Mundo da África do Sul.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro

Crônica de Sylvio Guedes (editor-chefe do Jornal de Brasília)  




Imagem retirada no Facebook do jornalista

Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, critica o “cinismo”… dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas.
Guedes desafia a todos que “tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro”.





Leia o artigo na íntegra:


É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.

Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:

"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro."

Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

Cabo Frio promove a II Mostra Especialmente Arte


A Secretaria Municipal de Assistência  Social, junto o prefeito de Cabo Frio, Marquinho Mendes, promove a II Mostra Especialmente Arte. O evento acontece dia 09 de dezembro, às 19h, no Convento Nossa Senhora dos Anjos.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Entrei sozinho na favela sem dar satisfação. É a UPP dos Macacos


Jorge Antônio Barros
Rio de Janeiro

Jorge Antônio Barros é jornalista e escreve sobre criminalidade e segurança pública desde 1981. É editor-adjunto da editoria que trata de assuntos relativos ao Rio do jornal O Globo. É autor do blog "Repórter de Crime", no Globo Online.


A primeira vez que subi um morro foi o dos Telégrafos, em São Cristóvão, pelas mãos de Zefinha, a empregada lá de casa. Eu não tinha mais do que cinco anos de idade. E um detalhe me marcou muito: como as pessoas conseguiam viver em condições precárias em que predomina um cheiro forte de esgoto in natura predominava. Nunca mais esqueci aquele cheiro de vala.


Mais tarde, já na faculdade, me inscrevi no Projeto Rondon e onde fui parar? Num trabalho de pesquisa na Favela da Rocinha, feito pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Ainda existe isso? Já naquela época era marcante o medo da remoção, os moradores perguntando o tempo todo se a pesquisa era para que eles entregassem suas casas construídas com muito sacrifício. "Não temos para onde ir; não dá para voltar pro Nordeste", era o que eu mais ouvia, calça jeans e camiseta branca com o logotipo do Rondon.

Repórter de cidade do "Jornal do Brasil", nos anos 80, vi e conversei pela primeira vez com um bandido armado nas palafitas da Maré. Eram os "xerifes" - traficantes e assaltantes - com quem o extinto BNH teve que negociar para implantar o Projeto Rio - a urbanização das favelas da Maré - mais uma das portentosas obras do ministro do Interior, Mário Andreazza, que era preparado para ser o presidente civil dos militares. Na mesma década, encontrei com Marcinho VP, 17 anos, e um fuzil AR-15 niquelado que batia na altura do peito dele, numa viela da Nova Brasília, no Complexo do Alemão. No final dos ano 80, fui o primeiro repórter do Rio a viver por uma semana na Favela da Rocinha, onde eu, o fotógrafo Alcyr Cavalcanti, e o motorista Osmar Sombra, escapamos de morrer no meio de um fogo cruzado entre traficantes e bicheiros.

Desde o início do trabalho de repórter não me lembro de ter entrado numa favela sem ter que passar pela associação de moradores. Era de praxe. Ia lá puxar assunto com alguém, mesmo que o objetivo fosse tentar entrevistar o dono do morro. Só voltei a cobrir favelas durante a Operação Rio, em 94, mas o clima era tenso, e não lembro de militares transmitindo a menor sensação de segurança.

Ontem, terça-feira, dia 30 de novembro de 2010, vivi uma situação que não via há decadas. Vestindo calça jeans, camisa social, e levando minha pasta onde transporto minha UPJD (Unidade Portátil de Jornalismo Digital), entrei sozinho numa favela do Rio sem ter que dar satisfação para ninguém. Não estava em carro de reportagem nem usava o crachá. Passei tranquilamente pelas escolas municipais Assis Chateaubriand e Mário de Andrade, na entrada da favela. Fotografei a pichação, num beco: "ADA, bala nos pés pretos" (o nome de uma facção, sugerindo chumbo na PM). Mais adiante havia uma tropa de PMs perfilada. Era a inauguração da 13a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), do Morro dos Macacos, em Vila Isabel. A favela ficou marcada por que esteve envolvida nos conflitos que terminaram com um helicóptero da PM abatido por traficantes, deixando três policiais mortos. Um lugar marcado pela antiga política de confrontos, que resultou em tragédias como a morte de Alana Ezequiel, de 13 anos, em março de 2007, já no início desse governo.

Felizmente a política de confrontos do governo do estado foi substituída pela política da pacificação, do policiamento comunitário, ou de proximidade, como prefere o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. Ontem, vi com meus próprios olhos o que os jornais contam. Gente sorrindo, religiosos agradecendo a Deus pelo "milagre", crianças brincando na piscina que era dos traficantes e agora será reformada e devolvida a toda a comunidade, como prometeu ontem o governador Sérgio Cabral.

Enquanto ouvia o discurso do governador, pelo alto falante, fui adentrando a favela, sob os olhares curiosos de alguns moradores. Dava pra notar que eu não era da área. Estava munido da minha handycam procurando algum personagem. Preferi não gravar com ninguém, não forçar ninguém a falar sobre algo tão novo que muitos deles ainda sequer compreendem. Mas percebi, apesar da presença de alguns políticos no palanque, que trata-se de uma revolução social, o que está acontecendo em algumas favelas. O tráfico nunca vai acabar enquanto houver usuários de drogas, mas o secretário Beltrame encontrou o tom correto do discurso: é preciso retomar o território.
A inauguração de uma UPP me lembrou muito aquelas cerimônias de Odorico Paraguassu, com padre, banda e tudo. Tem a banda da PM, policiais perfilados, oficiais de alta patente, cheios de estrelas e gemas por todo o uniforme, um forte esquema de segurança com guarda-costas ágeis e fortes, além de carros oficiais, alguns blindados. Tem até um sujeito oferecendo gratuitamente água filtrada e gelada num galão - é o aguadeiro da Cedae. Cabral brincava com todos, principalmente crianças. Estava igual pinto no lixo.
Mas no meio de todo esse barulho, que tem a finalidade de combater o crime, pela primeira vez senti um momento de alívio, senti que dá para se ter esperança de alguma mudança. Sem dúvida que será um trabalho árduo, mas seria muito bom ver toda a sociedade participando disso de alguma forma. Ontem infelizmente não ouvi ninguém, exceto um gari que não mora na favela, não quis dar palpite sobre o que os moradores pensam, mas entende a perplexidade de muitos moradores e até mesmo de jovens do tráfico que ainda devem estar por lá.
- Aconteceu de repente. É como se você acordasse e visse que tinha ganho na megasena. Da noite pro dia. O cara não acredita. Fica completamente zonzo - contou o gari.