segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Governo proíbe venda de antibióticos sem receita médica


Para quem não resiste à automedicação, precisa tomar mais cuidados, pois, a partir do último domingo (28/11), entra em vigor a nova regra para a venda de medicamentos. Todas as farmácias e drogarias serão obrigadas a vender antibióticos sob prescrição médica. Uma exigência proferida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

A medida da Anvisa é combater superbactérias, como a klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), um organismo multiresistente à antibióticos, que ataca, principalmente, pessoas que estão com imunidade muito baixa e internadas em UTIS dos hospitais. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o estado que mais sofreu com a bactéria KPC foi o Distrito Federal. O governo federal está acompanhando mais de perto os riscos causados na população do DF, e a Anvisa está avaliando o que provocou a disseminação da klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC ) nos hospitais públicos e privados de Brasília. Registros mostram que, desde janeiro, 15 brasiliense morreram contaminados pela superbactéria. Segundo balanço da Secretaria de Saúde, há hoje 135 pessoas contaminadas pela KPC no Distrito Federal.

Outra causa, que resultou na medida rigorosa da Anvisa e do Ministério da Saúde,  é a diminuição do uso indiscriminado de antibióticos no Brasil. Para muitos, já virou rotina a compra descontrolada de antibióticos e outros medicamentos. Muitos brasileiros usam, quase que diariamente, sem nenhum tipo de prescrição médica.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50% das prescrições de antibióticos no mundo são inadequadas. Só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS Health.

A nova regra:
As farmácias e drogarias de todo o país só poderão vender esses medicamentos mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento.
As receitas também terão um novo prazo de validade, de dez dias, devido às especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos.  Os prescritores devem estar atentos para a necessidade de entregar, de forma legível e sem rasuras, duas vias do receituário aos pacientes.
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que tem uso exclusivo no ambiente hospitalar.

Outras mudanças:
As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a seguinte frase: “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA - SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA”. As empresas terão 180 dias para fazer as adequações de rotulagem.
Todas as prescrições deverão, ainda, ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e concluam a adesão ao sistema também é de 180 dias, a partir da data de publicação da resolução (28/10).

Confira a íntegra da resolução.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ataques no RJ: Bope define como “desserviço” cobertura de Globo e Record

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As transmissões ao vivo da Rede Globo e Record com imagens da ação policial na favela da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, foram motivos de críticas do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Pelo Twitter, o serviço de comunicação da polícia carioca repreendeu a cobertura das duas emissoras, queixando-se das imagens feitas dos helicópteros. “Um desserviço prestado pelas aeronaves de Record e Globo", diz o post do Bope no Twitter.

Grande parte dos usuários da rede social concorda que este tipo de cobertura facilita a estratégia de defesa dos traficantes. Com a hashtag “#globocop”, internautas publicaram suas opiniões e questionamentos na rede social:

"O Globocop podia mostrar os traficantes em vez de dedurar os soldados do BOPE"

"O Globocop continua informando os bandidos do plano do BOPE?"

Sobre as críticas, a Record logo se prontificou sobre o assunto. “Estamos fazendo a cobertura jornalística de fatos graves e não recebemos nenhum pedido ou comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Rio para deixar de filmar alguma coisa", esclareceu a central de Comunicação da Rede Record.

A Globo ainda não se manifestou. 

Imagens captadas pela TV Globo mostram bandidos armados fugindo por uma estrada de terra


Na tarde desta quinta-feira (25), imagens captadas pela TV Globo mostram algumas dezenas de criminosos, fortemente armados, fugindo a pé e em carros pela rua A Pedreira, via de terra batida que liga a Vila Cruzeiro ao Complexo do Alemão, por meio de uma floresta densa.

Foto: O Globo

Google Maps cria mapa dos ataques no Rio


O Google Maps  divulgou, nesta quinta-feira, um mapa com o registro dos ataques no Rio, durante a onda de violência e terror.

Na imagem é possível identificar os locais que sofreram os ataques e a reação da polícia para conter os bandidos.


Recortes de jornais de uma semana inteira de violência no Rio de Janeiro

Sábado, 20 de novembro
A onda de violência começou por volta das 23h de sábado, com ataques na rodovia Rio-Magé (BR-116), na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Numa tentativa de arrastão, um homem foi morto com um tiro de fuzil.

Domingo, 21 de novembro
Seis homens armados com fuzis abordaram três veículos na Linha Vermelha (uma das principais vias da cidade). Os criminosos assaltaram os donos do veículo e incendiaram dois desses carros, abandonando o terceiro. Logo após, enquanto fugia, o mesmo grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer), arremessaram uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de então, os ataques se multiplicaram.

Segunda-Feira, 22 de novembro
Motoristas de dois carros e uma van tiveram seus veículos incendiados em Irajá. No mesmo bairro uma cabine da PM foi baleada. À noite, suspeitos atiraram contra policiais em Del Castilho, no subúrbio, atingindo a cabine da PM e um carro que estava estacionado perto.

Também no subúrbio, na Via Dutra, dois carros foram queimados na altura da Pavuna e outros dois veículos foram roubados. Na Zona Norte, outros dois carros foram incendiados, um no Estácio e outro na Tijuca. Os tiros atingiram um carro que estava estacionado nas proximidades. Ninguém ficou ferido.

O serviço de inteligência do governo do Rio reúne-se para um plano de ação contra os terroristas; levantam hipóteses que os ataques podem ser planejados por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná.   

Terça-Feira, 23 de novembro
Um carro apareceu queimado, desta vez na Praça da Bandeira, na Zona Norte. Segundo policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira), o proprietário contou que encontrou o carro pegando fogo e acredita que tenha sido um ataque.

A polícia anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.

Quarta- Feira, 24 de novembro
23 pessoas foram mortas, 159 foram presas ou detidas e 37 veículos foram incendiados no Estado. Pessoas morreram em confronto com a polícia. Houve reforço do policiamento em toda cidade. Entre as vítimas dos confrontos, está uma adolescente de 14 anos, que morreu após ser baleada nas costas.

O governo do Estado transferiu oito presidiários (acusados de liderar os ataques) do Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Outra medida para tentar conter a violência foi anunciada pelo Ministério da Defesa: o Rio terá o apoio logístico da Marinha para reforçar as ações de combate aos criminosos.

A onda de ataques já chegou ao interior do Estado. A Polícia Militar confirmou que um carro foi incendiado na Praia do Forte, região nobre da cidade. Segundo a PM, houve tentativa de incêndio em outros dois carros na cidade, mas, com a chegada da polícia ao local, os criminosos fugiram. Não houve feridos.

Quinta- Feira, 25 de novembro
No quinto dia de ataques ao Rio, um caminhão, um carro e uma moto foram incendiados na Avenida Brasil. Dois micro-ônibus foram incendiados em Rocha Miranda; um carro pegou fogo na Penha, bloqueando o trânsito.

No início da tarde, um ônibus foi incendiado em São Gonçalo, segundo testemunhas, três bandidos pararam o coletivo e mandaram as duas pessoas que estavam dentro descer. Em seguida, atearam fogo ao veículo. Bandidos atiraram uma granada de efeito moral no pátio do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) na Chatuba, em Mesquita. Uma van foi incendiada em Santa Cruz. 





















A VIOLÊNCIA DAS ÚLTIMAS NOITES NO RIO DE JANEIRO - ALGUMAS REFLEXÕES



Rafael Peçanha é graduado em História pela Universidade Veiga de Almeida, pós-graduando em Sociologia Urbana pela UERJ e Mestrando em Antropologia pela UFF; colunista do Jornal Folha dos Lagos aos sábados. 

Contatos:





--------- O SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO ESTADO DO RIO, José Maria Beltrame, afirma que os atos de violência, ocorridos nesa madrugada e na madrugada passada, são reações dos traficantes à implantação das UPP's.

---------- O MESMO SECRETÁRIO, com certa concordância do comentarista de segurança da Globo, Rodrigo Pimentel, afirma que Comando Vermelho e Terceiro Comando "se uniram" ou ainda "deram uma trégua" para coordenarem juntos os ataques.

---------- EU DESCONFIO MUITO. A ideia de união das duas facções rivais no combate ao Estado, a meu ver, hoje, ainda é irreal, e só é levada a sério por intelectuais que dizem conhecer a realidade do tráfico carioca, numa análise conspiratória mais aos moldes do pensamento do século XIX. A divisão do Rio entre morro e asfalto não é exatamente real. O asfalto não está unido contra o morro e nem vice-versa: ambos estão divididos em grupos e facções, às vezes contra si mesmos.

---------- EM BREVE DEVEREMOS VER UM "FURO DE REPORTAGEM" da Globo com entrevista a um "chefe do tráfico" afirmando a união das facções contra o Governo do Rio. Sempre há uma entrevista teatral assim, com um traficante que nunca traficou. A tradição foi inaugurada pelo programa do Gugu e virou onda.

---------- TAMBÉM DESCONFIO DA QUESTÃO DAS UPP's como motivo isolado dos ataques. Essa postura facilita a exposição do Estado como herói e vítima do processo. As UPP's são, sem dúvida, um grande projeto. Mas os presos de Catanduva (que teoricamente coordenaram os ataques), a meu ver, estão preocupados com outras demandas para além - ou para aquém, na verdade - das UPP's.

---------- CABE LEMBRAR QUE OS ATAQUES FORAM FEITOS NA ZONA NORTE, enquano as UPP's foram implantadas apenas, por enquanto, na Zona Sul. Ora, se a ideia fosse mostrar que os traficantes não querem as UPP's por lá, a ação foi um tanto quanto pouco inteligente, pois a violência na área só reforça a necessidade das UPP's por lá - as ações estariam chamando as UPP's para a Zona Norte. Não haveria lógica.

---------- SE FOSSE PARA MOSTRAR INSATISFAÇÃO COM A UPP no Morro dos Macacos, por exemplo, os traficantes queimariam ônibus no Grajaú ou na pista da Vila Isabel, áreas mais vulneráveis próximas ao Morro. Não se queima ônibus na Avenida Brasil para reclamar de algo que ocorreu em um morro em Botafogo, por exemplo.

---------- POR OUTRO LADO, os ataques na Zona Norte facilitam o retorno dos bandidos às suas favelas de origem, próximas aos locais de ação e desprotegidas pela polícia.

---------- NESTA MADRUGADA FORAM QUEIMADOS ônibus e carros em São Gonçalo, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Niterói e Cabo Frio.