terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Governo proíbe venda de antibióticos sem receita médica
Para
quem não resiste à automedicação, precisa tomar mais cuidados, pois, a partir
do último domingo (28/11), entra em vigor a nova regra para a venda de medicamentos. Todas as
farmácias e drogarias serão obrigadas a vender antibióticos sob prescrição
médica. Uma exigência proferida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.
A
medida da Anvisa é combater superbactérias, como a klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), um organismo
multiresistente à antibióticos, que ataca, principalmente, pessoas que estão
com imunidade muito baixa e internadas em UTIS dos hospitais. Segundo
o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o estado que mais sofreu com a
bactéria KPC foi o Distrito Federal. O governo federal está acompanhando mais
de perto os riscos causados na população do DF, e a Anvisa está avaliando o que
provocou a disseminação da klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC ) nos hospitais públicos e privados de Brasília. Registros mostram que, desde janeiro, 15
brasiliense morreram contaminados pela superbactéria. Segundo balanço da
Secretaria de Saúde, há hoje 135 pessoas contaminadas pela KPC no Distrito
Federal.
Outra causa, que resultou na medida rigorosa
da Anvisa e do Ministério da Saúde, é a
diminuição do uso indiscriminado de antibióticos no Brasil. Para muitos, já
virou rotina a compra descontrolada de antibióticos e outros medicamentos. Muitos
brasileiros usam, quase que diariamente, sem nenhum tipo de prescrição médica.
Segundo
dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50% das prescrições de
antibióticos no mundo são inadequadas. Só no Brasil, o comércio de antibióticos
movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS
Health.
A nova regra:
As
farmácias e drogarias de todo o país só poderão vender esses medicamentos
mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará
retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao
paciente com carimbo para comprovar o atendimento.
As
receitas também terão um novo prazo de validade, de dez dias, devido às
especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos. Os prescritores devem estar atentos para a
necessidade de entregar, de forma legível e sem rasuras, duas vias do
receituário aos pacientes.
As
medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos
os antibióticos com registro no país, com exceção dos que tem uso exclusivo no
ambiente hospitalar.
Outras mudanças:
As
embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a seguinte frase: “VENDA
SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA - SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA”. As
empresas terão 180 dias para fazer as adequações de rotulagem.
Todas
as prescrições deverão, ainda, ser escrituradas, ou seja, ter suas
movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e
concluam a adesão ao sistema também é de 180 dias, a partir da data de
publicação da resolução (28/10).
Confira
a íntegra da resolução.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Ataques no RJ: Bope define como “desserviço” cobertura de Globo e Record
Site Comunique-se
As transmissões ao vivo da Rede Globo e Record com imagens
da ação policial na favela da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, foram motivos
de críticas do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Pelo Twitter, o serviço de comunicação da polícia carioca
repreendeu a cobertura das duas emissoras, queixando-se das imagens feitas dos
helicópteros. “Um desserviço prestado pelas aeronaves de Record e Globo",
diz o post do Bope no Twitter.
Grande parte dos usuários da rede social concorda que este
tipo de cobertura facilita a estratégia de defesa dos traficantes. Com a
hashtag “#globocop”, internautas publicaram suas opiniões e questionamentos na
rede social:
"O Globocop podia mostrar os traficantes em vez de
dedurar os soldados do BOPE"
"O Globocop continua informando os bandidos do plano do
BOPE?"
Sobre as críticas, a Record logo se prontificou sobre o
assunto. “Estamos fazendo a cobertura jornalística de fatos graves e não
recebemos nenhum pedido ou comunicação da Secretaria de Segurança Pública do
Rio para deixar de filmar alguma coisa", esclareceu a central de
Comunicação da Rede Record.
A Globo ainda não se manifestou.
Imagens captadas pela TV Globo mostram bandidos armados fugindo por uma estrada de terra
Google Maps cria mapa dos ataques no Rio
O Google Maps divulgou,
nesta quinta-feira, um mapa com o registro dos ataques no Rio, durante a onda
de violência e terror.
Na imagem é possível identificar os locais que sofreram os
ataques e a reação da polícia para conter os bandidos.
Recortes de jornais de uma semana inteira de violência no Rio de Janeiro
Sábado, 20 de novembro
A onda de
violência começou por volta das 23h
de sábado, com ataques na rodovia Rio-Magé (BR-116), na altura de Duque de
Caxias, na Baixada Fluminense. Numa tentativa de arrastão, um homem foi morto
com um tiro de fuzil.
Domingo, 21 de novembro
Seis homens
armados com fuzis abordaram três veículos na Linha Vermelha (uma das principais
vias da cidade). Os criminosos assaltaram os donos do veículo e incendiaram
dois desses carros, abandonando o terceiro. Logo após, enquanto fugia, o mesmo grupo
atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer), arremessaram uma
granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da
Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de
então, os ataques se multiplicaram.
Segunda-Feira, 22
de novembro
Motoristas de
dois carros e uma van tiveram seus veículos incendiados em Irajá. No mesmo
bairro uma cabine da PM foi baleada. À noite, suspeitos atiraram contra policiais
em Del Castilho, no subúrbio, atingindo a cabine da PM e um carro que estava
estacionado perto.
Também no
subúrbio, na Via Dutra, dois carros foram queimados na altura da Pavuna e
outros dois veículos foram roubados. Na Zona Norte, outros dois carros foram
incendiados, um no Estácio e outro na Tijuca. Os tiros atingiram um carro que
estava estacionado nas proximidades. Ninguém ficou ferido.
O serviço de
inteligência do governo do Rio reúne-se para um plano de ação contra os
terroristas; levantam hipóteses que os ataques podem ser planejados por líderes
de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná.
Terça-Feira, 23
de novembro
Um carro apareceu
queimado, desta vez na Praça da Bandeira, na Zona Norte. Segundo policiais da
18ª DP (Praça da Bandeira), o proprietário contou que encontrou o carro pegando
fogo e acredita que tenha sido um ataque.
A polícia
anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e
foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as
estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.
Quarta- Feira, 24
de novembro
23 pessoas foram
mortas, 159 foram presas ou detidas e 37 veículos foram incendiados no Estado. Pessoas
morreram em confronto com a polícia. Houve reforço do policiamento em toda
cidade. Entre as vítimas dos confrontos, está uma adolescente de 14 anos, que
morreu após ser baleada nas costas.
O governo do
Estado transferiu oito presidiários (acusados de liderar os ataques) do
Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, para o Presídio
Federal de Catanduvas, no Paraná. Outra medida para tentar conter a violência
foi anunciada pelo Ministério da Defesa: o Rio terá o apoio logístico da
Marinha para reforçar as ações de combate aos criminosos.
A onda de ataques
já chegou ao interior do Estado. A Polícia Militar confirmou que um carro foi
incendiado na Praia do Forte, região nobre da cidade. Segundo a PM, houve
tentativa de incêndio em outros dois carros na cidade, mas, com a chegada da
polícia ao local, os criminosos fugiram. Não houve feridos.
Quinta- Feira, 25
de novembro
No quinto dia de
ataques ao Rio, um caminhão, um carro e uma moto foram incendiados na Avenida
Brasil. Dois micro-ônibus foram incendiados em Rocha Miranda; um carro pegou
fogo na Penha, bloqueando o trânsito.
No início da
tarde, um ônibus foi incendiado em São Gonçalo, segundo testemunhas, três
bandidos pararam o coletivo e mandaram as duas pessoas que estavam dentro
descer. Em seguida, atearam fogo ao veículo. Bandidos atiraram uma granada de
efeito moral no pátio do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) na
Chatuba, em Mesquita. Uma van foi incendiada em Santa Cruz.
A VIOLÊNCIA DAS ÚLTIMAS NOITES NO RIO DE JANEIRO - ALGUMAS REFLEXÕES
Rafael Peçanha é graduado
em História pela Universidade Veiga de Almeida, pós-graduando em Sociologia
Urbana pela UERJ e Mestrando em Antropologia pela UFF; colunista do Jornal
Folha dos Lagos aos sábados.
Contatos:
--------- O SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO ESTADO DO RIO, José Maria
Beltrame, afirma que os atos de violência, ocorridos nesa madrugada e na
madrugada passada, são reações dos traficantes à implantação das UPP's.
---------- O
MESMO SECRETÁRIO, com certa concordância do comentarista de segurança da Globo,
Rodrigo Pimentel, afirma que Comando Vermelho e Terceiro Comando "se
uniram" ou ainda "deram uma trégua" para coordenarem juntos os
ataques.
---------- EU
DESCONFIO MUITO. A ideia de união das duas facções rivais no combate ao Estado,
a meu ver, hoje, ainda é irreal, e só é levada a sério por intelectuais que
dizem conhecer a realidade do tráfico carioca, numa análise conspiratória mais
aos moldes do pensamento do século XIX. A divisão do Rio entre morro e asfalto
não é exatamente real. O asfalto não está unido contra o morro e nem
vice-versa: ambos estão divididos em grupos e facções, às vezes contra si
mesmos.
---------- EM
BREVE DEVEREMOS VER UM "FURO DE REPORTAGEM" da Globo com entrevista a
um "chefe do tráfico" afirmando a união das facções contra o Governo
do Rio. Sempre há uma entrevista teatral assim, com um traficante que nunca
traficou. A tradição foi inaugurada pelo programa do Gugu e virou onda.
----------
TAMBÉM DESCONFIO DA QUESTÃO DAS UPP's como motivo isolado dos ataques. Essa
postura facilita a exposição do Estado como herói e vítima do processo. As
UPP's são, sem dúvida, um grande projeto. Mas os presos de Catanduva (que
teoricamente coordenaram os ataques), a meu ver, estão preocupados com outras
demandas para além - ou para aquém, na verdade - das UPP's.
----------
CABE LEMBRAR QUE OS ATAQUES FORAM FEITOS NA ZONA NORTE, enquano as UPP's foram
implantadas apenas, por enquanto, na Zona Sul. Ora, se a ideia fosse mostrar
que os traficantes não querem as UPP's por lá, a ação foi um tanto quanto pouco
inteligente, pois a violência na área só reforça a necessidade das UPP's por lá
- as ações estariam chamando as UPP's para a Zona Norte. Não haveria lógica.
---------- SE
FOSSE PARA MOSTRAR INSATISFAÇÃO COM A UPP no Morro dos Macacos, por exemplo, os
traficantes queimariam ônibus no Grajaú ou na pista da Vila Isabel, áreas mais
vulneráveis próximas ao Morro. Não se queima ônibus na Avenida Brasil para
reclamar de algo que ocorreu em um morro em Botafogo, por exemplo.
---------- POR
OUTRO LADO, os ataques na Zona Norte facilitam o retorno dos bandidos às suas
favelas de origem, próximas aos locais de ação e desprotegidas pela polícia.
----------
NESTA MADRUGADA FORAM QUEIMADOS ônibus e carros em São Gonçalo, Duque de
Caxias, Rio de Janeiro, Niterói e Cabo Frio.
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